Cecília (E os Balões)

Diz-me quem és tu, menina Cecília

De alva pele branca e cabelos da cor de trigais.

Folhas no Outono são teus olhos, castanho esverdeados,

E cheios e rosados são teus lábios.

 

Diz-me quem és tu, garota Cecília

Senão uma tempestade loira de trovões.

Tinges de mirtilo os cabelos, e vestes uma camiseta dos Strokes,

E trazes uma máquina fotográfica nas mãos finas.

De cenho franzido me olhas e me dás um sorriso lacônico.

 

O piercing em teu nariz

E o alargador em tua orelha

Tornam contemporânea tua beleza,

Outrora atemporal.

 

Tudo o que vejo, contudo,

São exteriores

Por isso peço-te outra vez:

Diz-me quem és tu, Cecília, mulher!

Diz-me o que o que te aprazes e o que te repugnas!

Diz-me o que tu pensas sobre a vida!

 

– Digo-te – diz-me – quem sou:

Sou Cecília, e isso é tudo sobre mim.

Digo-te o que me apraz,

Fotografar;

E o que me repugna,

A mesmice.

Consegues ser diferente? Ou nunca tentaste?

Digo-te o que penso sobre a vida,

Que cada vida é um balão.

 

– Diz-me – digo – se cada vida é um balão,

Para onde é que elas vão?

– Embora.

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12 pensamentos sobre “Cecília (E os Balões)

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