Galáxia.

Deitado no chão tudo parece mais real. O cheiro de grama úmida ao seu redor; o barulho de sua própria respiração, lenta e profunda; o toque de suas mãos, cravadas no chão, se agarrando à sua realidade inversa; o gosto de bile em sua boca, provocado por um vômito recente; o brilho perolado do céu noturno, refletido nas lágrimas de seu rosto. Deitado no chão tudo parece igual. As estrelas, aparentemente imóveis, estão do mesmo modo de quando costumávamos observá-las.

Na imensidão de constelações e planetas, tento em vão te encontrar. O Tempo passa e, como as galáxias, vamos nos afastando cada vez mais. O Universo se expande e o Caminho de Leite se torna uma Avenida em espiral, onde todos os nossos sonhos se perdem, se apagam, e se fundem em um Buraco Negro. Onde nossos Destinos são uma informe Nebulosa, bela e incerta. Onde somos pequenos demais, apenas dois pontos brilhantes, a anos luz de distância, em meio a outras centenas de bilhões de estrelas.

Onde já não adianta chorar o leite que foi derramado.